Ao vencedor, as batatas

por Sal e Sol

Essa semana foi corrida porque tive que formatar e apresentar o meu pré projeto para a monografia de conclusão de curso. Então estive em casa, trabalhando nos cachecóis gola ( já estou com três prontos ), lendo e escrevendo sobre fotografia. Eu consegui fazer tudo, não sei como. Ontem foi um longo dia na frente no computador, fazendo um bilhão de slides, mas venci. Mas, é claro que não virei faquir e me diverti um pouco na cozinha. Essa semana ganhamos algumas delicinhas vindas da horta de Araçoiaba. A Luiza (mãe do Felipe) nos deu hortelã, manjericão, alecrim, tomilho, alfaces, rúcula e salsão, BEM orgânicos. Essa horta é linda!!!!

Uma horta cheia de alfaces e o Sr. Salsão

Vos apresento os Srs. Tomilho, Manjericão, Alecrim, Hortelã

Então resolvi fazer valer todos esses aromas em coisinhas quentinhas e gostosas para esses dias meio frios de outono!

Salada de Batatas Quentes com Salsa Verde Meio Picante (do livro Jamie Oliver – O Chef sem Mistérios, com livre adaptação)

Batatas bolinha com salsa verde

* Para 8 pessoas (eu fiz mais ou menos metade, pra nós dois e pra sobrar um pouquinho)

*  Eu usei batatas do tipo bolinha, se usar batatas inglesas grandes, tente manter o mesmo tamanho para que o tempo de cozimento seja igual.

Ingredientes

  • 450 gr de batatas  (descascadas)

Preparo

Cozinhe as batatas em água com sal. Não as abandone cozinhando para que não fiquem duras ou se despedaçando de tanto ferver. O importante é que as batatas estejam perfeitamente cozinhadas, saborosas e com consistência ainda firme. O ponto para isso é que quando furada com uma ponta de uma faca, esta apenas se desprenda da batata. Quando estiverem cozidas, retire do fogo, escorra-as e coloque em uma tigela. Jamie diz que com elas ainda quentes, misture-as na salsa verde da receita ai de baixo. Pois enquanto ainda estão soltando vapor, os aromas penetram na batata.

Salsa Verde (meio picante)

(a receita do Jamie é para 8 pessoas, não sei se é o caso, mas fiz um pouco menos para quatro pessoas, como não tinha alcaparras e filés de anchova, simplesmente não acrescentei, e ficou uma delícia)

Ingredientes

  • 6 filés de anchova
  • 1 punhado pequeno de alcaparras
  • 1 e ½ ou 2 dentes de alho descascado
  • 3 pepininhos em conserva (ele pede o tipo cornichon – que ficam em vinagre doce)
  • 2 punhados de salsa picada
  • 1 ramalhete de manjericão fresco picado
  • 1 punhado de hortelã fresca picada
  • 1 colher (sopa) de mostarda Dijon
  • 2 colheres (sopa) de vinagre de vinho branco (na receita do Jamie era tinto)
  • 8 colheres (sopa) de azeite de oliva (o melhor que você tiver em casa)
  • sal e pimenta-do-reino moída na hora

Preparo

Pique bem todos os ingredientes e coloque-os numa tigela. Adicione a mostarda e o vinagre. Misture lentamente com óleo de oliva até atingir a consistência desejada e equilibre tudo com o sal e a pimenta.

Cebolas e Batatas assadas no balsâmico (do Jamie em Casa, também com a minha livre adaptação)

Para 6 pessoas

Batatas e cebolas assadas no balsâmico

(Jamie sugeria como acompanhamento porco assado, que não fiz)

  • 1,5 kg  batatas de tamanho médio (como aqui em casa somos dois corto tudo pela metade, para que sobre um pouquinho pra eu almoçar no outro dia)
  • sal marinho e pimenta-do-reino moída na hora
  • óleo de oliva
  • 200 gr de manteiga cortada em cubos
  • folhas de um punhado de alecrim fresco picadas
  • 1 cabeça inteira de alho (isso é pra 6 pessoas, cuidado!)
  • 5 cebolas roxas médias descascadas e cortadas em quatro(como eu não tinha roxa, usei a que estava por aqui)
  • 350 ml de vinagre balsâmico barato

Preparo

Pré-aqueça o forno a 200 graus. Coloque as batatas numa panela com água salgada fervente e cozinhe por cerca de 8 minutos. Em seguida, escorra e devolva–as a panela.

Pegue uma assadeira, que caiba uma única camada de batatas e cebolas (para que não fiquem amontoadas), aqueça sobre a chama do fogão. Quando estiver quente, despeje um fio de óleo de oliva e adicione a manteiga, o alecrim e o alho. Junte as batatas e misture. Acrescente as cebolas e o vinagre balsâmico e tempere com sal e pimenta. Cozinhe por 5 minutos. Acomode a assadeira na prateleira superior do forno e cozinhe por aproximadamente 50 minutos, ou até que as batatas e cebolas estejam escurecidas, grudentas e crocantes. Na metade do cozimento, retire a assadeira do forno e mexa as cebolas e batatas.

Para não perdermos o contexto do título do post, um trecho de Quincas Borba, do qual saiu a célebre frase

“– Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência de outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.” [Síntese do Humanitismo feita por Quincas a Rubião – em Quincas Borba, de Machado de Assis]

Quanto a guerra, que considero totalmente desnecessária, sugiro a leitura de Diante da Dor dos Outros, de Susan Sontag.