das estrelas, um selo e um queijo

por Sal e Sol



Ontem provei uma delícia de Portugal. Há um tempão que Felipe vinha falando de um queijo produzido na Serra da Estrela.

Dei um google e achei a definição mais básica para aquele sabor tão aveludado: ” é um queijo curado, com pasta semimole, amanteigado de cor branca ou amarelada. É feito a partir de leite de ovelha, na região da Serra da Estrela. É considerado o melhor queijo de Portugal.” (wiki)

Feito com leite de ovelhas de duas raças a Bordaleira Serra da Estrela e/ou Churra Mondegueira, é coalhada pela flor do cardo, planta da região.

Delicadamente embrulhado em uma gaze o queijo da Serra como é vulgarmente chamado pode ser guardado em geladeira por até um ano se o consumidor abrir e guardar a sua tampa, e após o consumo cobrir e acondicionar em um tupperware (tapauerr!!)

Feitos no inverno, dizem que seu êxito dependia da fabricação por mãos de mulheres que o faziam em frias casas de granito típicas da arquitetura da região.

Se produzido apenas com leite de ovelha dessas duas raças acima citadas, dentro dos padrões estabelecidos de produção, o queijo da Serra recebe o selo DOP (Denominação de Origem de Produção), que é feito pela Casa da Moeda, desde outubro de 2010, como um holograma semelhante aos de cartões de crédito.

A substituição de selos azuis por esses da casa da moeda se deu devido a grande quantidade de queijos falsificados com carimbros de salubridade falsos, feitos com leite em pó da Nova Zelândia (nenhum pouco portuguesas) e água da Espanha (!).

O site Terras da Beira fala sobre o processo de produção do queijo da Serra:

“O queijo Serra da Estrela tem de ser produzido com leite de ovelha bordaleira, típica da região, e estar sujeito a um processo de certificação que assenta em cinco pontos fundamentais. Primeiro, o produtor tem que exercer a sua actividade na região demarcada do queijo serra da Estrela. O rebanho de onde é proveniente o leite, que deve ser também originário da referida zona, deve estar em perfeitas condições de sanidade, higiene e maneio, e isento de qualquer doença. Ou seja, nos três anos anteriores não ter indícios de Brucelose no seu efectivo. Para além de ser produzido em condições higiénicas, o leite deve ter a adequada composição físico-química.

Quanto às instalações, estas devem possuir licença de laboração concedida pelo Ministério da Agricultura, o que implica que as mesmas reunam as condições de salubridade impostas pela legislação. Por último, na produção do queijo devem ser utilizadas boas práticas de fabrico, de acordo com o Regulamento Técnico da Faproserra.

Apesar do selo de certificação poder ser uma garantia de qualidade, o que é certo é que mais de metade dos produtores não o adquire, embora, de ano para ano, o número de queijos certificados tem vindo a aumentar. «Há quatro anos foram 12 mil e o ano passado atingiu já as 36 mil unidades, o que prova que este processo tem avançado, embora não seja com aquela rapidez desejada», salientou Jorge Pais.” (veja o artigo completo aqui)

Diga se não parecem pequenos passarinhos adoentados cuidados por mãos cuidadosas que os enrolaram em gazes?!