sal e sol

Papel manteiga para embrulhar segredos

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“Passei com quase louvor pelo primeiro ano de estudos e “aprenderes”. Posso ferver água com perfeição, quebrar ovos usando apenas a mão esquerda, e debulhar feijão verde a tempo de mantê-lo fresco, macio como manteiga.”

(Cristiane Lisbôa, Papel Manteiga para Embrulhar Segredos)

Um caso de amor

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Nigel Slater é caso sério, de amor desmedido. Esse é um bolo que quero ter como memória afetiva na infância da minha filha. Memória afetiva que a gente constrói a partir de escolhas, engraçado né?! Achei que fosse puramente espontâneo, mas se eu escolho o que vou fazer, construo assim a “lista” das receitas que um dia ela vai lembrar com carinho. Se tudo der certo, como essa receita do Nigel.

Um bolo insuperável: bolo integral de maça, canela e marmelada de laranja.

Receita logo, logo, quando Olívia sarar do resfriado…

Comida

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Não existe no mundo coisa mais linda do que comida que vem da terra ou do peito.

Caramelo, doce até para pronunciar

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Que prazer engraçado eu tenho em ver puro açúcar refinado se transformar em doce caramelo num piscar de olhos atentos.

Bolo com Leite de Amêndoas da mãe sem memória

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Achei que tinha publicado, mas devo ter ido dar de mamar a Olívia e esqueci. Já faz alguns meses do esquecimento, mas ei-la aqui, a receita de Bolo com leite de Amêndoas. O leite ensinei a fazer aqui:
https://salesol.wordpress.com/2013/08/05/feito-a-mao-leite-de-amendoas-ou-outras-nuts/

Bolo com leite de amêndoas

4 col. (sopa) de margarina sem sal (usei margarina por não poder ingerir leite e derivados na época) amolecida
1 xíc. (chá) açúcar refinado
1/2 xíc. (chá) açúcar mascavo
3 ovos orgânicos de preferência
1 e 1/2 xíc. (chá) de leite de amêndoas
3 xíc. (chá) de farinha de trigo
1 col. (sopa) de fermento em pó
1 col. (sopa) de manteiga de amêndoas (opcional)
Aveia em flocos

Pré aqueça o forno em temperatura média. Unte e enfarinhe uma forma com furo no meio. Coloque um pouco de aveia em flocos no fundo da forma para virar a crostinha de cima do bolo quando você desenformar.

Em uma tigela grande misture a margina, o açúcar e os ovos. Misture bem. Acrescente o leite de amêndoas e a farinha de trigo aos poucos e vá misturando. Adicione o fermento em pó e misture. Despeje a mistura na forma untada e enfarinhada. Leve ao forno e cozinhe por 40 minutos, faça o teste do palito para ver se está bem cozido.

Deixe amornar e desenforme. Sirva com um café quentinho!

Por que correr?

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Por que eu comecei a correr?! Devo ter falado isso em algum outro post, mas gosto sempre de lembrar para mim mesma a admiração que sentia pelos corredores profissionais ou amadores desde sempre. O fato é que tentei algumas vezes e acabei meu primeiro-e-último-treino com a sensação de frustração total e colocando os bofes para fora. Foram anos e mais anos apenas admirando esses corredores até que um dia resolvi tomar coragem e começar. O marido, então ainda namorado e depois noivo, me ajudou muito e me acompanhou nessa empreitada. Mas o que me fez realmente começar foi um fato chato, bem chato como capotar com uma caminhonete gigante na Régis Bittencourt em pleno 25 de dezembro e resolver que é melhor fazer as coisas que você gostaria fazer e principalmente ocupar a cabeça entristecida pelo susto.
Foi assim que comprei o meu primeiro mizuno em um shopping de Sorocaba com meu sogro nos dando uma carona já que “caminhonete” jazia em pátio da Porto Seguro há alguns dias. Foi assim, antes ainda do reveillon que comecei minha promessa de ano novo. Foi um ano novo e tanto esse. Corri um bocado e cheguei alegre aos 11 km, mas a vida reserva surpresas e o nome da moça é Olívia, hoje com 2 meses e meio e uma bochechas rosadas e deliciosas.
Quando descobri a gravidez parei de correr, não por recomendação médica, mas por falta de disposição. Não tinha energia para carregar uma folha de papel e depois vieram os enjôos que me perseguiram até a 14ª semana de gestação. Eu que nunca tinha corrido na vida, mais do que aquele “primeiro-e-último-treino-com-a-sensação-de-frustração-total-colocando-os-bofes-para-fora” até os 26 anos, me imaginava correndo grávida, só que não.
Apelei para uma atividade mais calma e que não necessitasse da energia doida da corrida e fui feliz com o Pilates até o 8° mês de gravidez. E sentei e esperei Olívia chegar até que um belo dia…
Daí veio a fase mais doida da minha vida, a maratona insana da amamentação e da doação de leite.
E aí Olívia com 1 mês e meio começou a dormir a noite inteira, mas a mãe besta aqui continua acordando de madrugada até hoje achando que a moça está perdida entre os lençóis. Sonhos psicodélicos a parte, o fato é que com 45 dias de Olívia no mundo minha médica me deu alta da cesárea para fazer esportes, incluindo a minha amiga corrida. Sono longo a noite, alta médica, tênis limpinhos e vontade de voltar pra pista, era tudo o que eu precisava. Com marido viajando e passando fins de semana no interior onde é possível correr ao lado de casa, e voltar em apenas 5 minutos para os braços da minha pequena, comecei.
Eu pensei, e confirmei, que não seria uma volta fácil. 11 meses depois e com a cabeça atrapalhada de mãe de primeira viagem só confirmaram o que eu imaginava. Era recomeçar, e do zero. Bem do zero mesmo. Tipo correr 18 minutos e achar que já se passaram 45, igualzinho choro de criança que parece sempre muito mais tempo do que realmente foi. Além disso a cabeça, o coração e as pernas não quiseram entrar em sincronia. Cabeça dizia: você consegue, corra pelo menos 5 km. Coração dizia: eu acho que ela está chorando. E pernas entrando em colapso gritavam “vai tomar banho, cê acha mesmo que eu vou correr essa ‘maratona’ só porque você resolveu dar uma de corredora no pós parto”. Pois é meus amigos, como eu sempre digo, rapadura é doce, mas não é mole não.

Pesadelos a parte nas primeiras tentativas, tenho que compartilhar minha imensa satisfação em dizer que mesmo aos trancos e barrancos corri 2x por semana nas últimas semanas e tem ficado menos difícil (não significa mais fácil, ok?)

Ouvi dizer por ai que Paula Radcliff voltou a correr 6 dias depois que seu bebê nasceu e venceu a maratona de Londres naquele ano. claro que ela como atleta de elite tem músculos com memória e os meus sofrem de amnésia total, claro que ela deve ter tido um parto normal caso contrário sua barriga rasgaria no meio correndo uma semana depois de uma cesárea, claro que vencer a maratona tem a mesma chance de ganhar na mega sena quando não se aposta, para mim. Claro… Claro que um monte de coisas, mas correr é amar, é ter coragem, é sonhar que sim você pode correr uma maratona e ainda vencer no final dela, porque cá pra nós não é todo mundo que consegue passar 3,4,5 horas correndo. Terminar já é uma vitória. Eu não estou conseguindo nem 30 minutos direito e já escuto a criança chorar…
Mas a verdade é que correr para mim, agora, tem um novo significado. Preciso desses 30, 40 minutos só pra mim, sem Olívia ao meu redor, para colocar as ideias no lugar, apesar de não conseguir pensar em nada enquanto corro, só no próximo passo. Preciso ser uma mãe que dá exemplo. Que leva uma vida saudável, que cuida do corpo porque ele é a nossa casa, que come direito pois esse é o nosso combustível, que corre porque fica feliz depois de correr.
Preciso mostrar pra Olívia a primeira medalha que ganhei na minha primeira corrida de rua, 5 suados e felizes quilômetros, com gostinho de vitória. Falar para ela do dia doido do meu troféu e dos 50 minutos mais longos (até agora) nos quais só pensei em desistir, mas que me fizeram pensar em tanta coisa.

Falar para ela que vou correr e depois que corri um, duas, três maratonas simplesmente porque acho bonito e porque enfiei na cabeça que conseguiria e vou conseguir. E poder ter o prazer de vê-la colocar a minha medalha em mim.
E assim recomeça o meu longo e dolorido projeto de maratona…
#vemnenem

UPDATE: Escrevi o post há tanto tempo e não publiquei que agora a Olívia já está com quase três meses. Fico feliz em dizer que a pequena dorme a noite toda desde 1 mês e meio, mama 5 vezes por dia e estou conseguindo correr 40 minutos. Ou seja, vai melhorando com o tempo. Agora tenho uma treinadora que nunca vi, mas me passa planilhas por email e sigo assim, até tudo se transformar outra vez.

2 meses da Olívia e um bolo devastador

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Estamos aqui, eu, Nico e Olívia. E um bolo que vai estraçalhar seu coração. Sério ter a incumbência de comê-lo inteiro sozinha é uma afronta as abdominais que deveria fazer para recuperar o músculo pós barriga da gravidez. E olha que essas 150 abdominais que tenho na lista diária de pendências não são pra chegar em um abdômen definido não, são só pra conseguir carregar a criança no colo e outras atividades corriqueiras. Mas fiz o bolo mesmo assim, mesmo sabendo que Olívia só mama, Nico só come Eukanuba e marido-pai está viajando. Sobrou pra mim a missão de dar cabo desse super úmido e delicioso bolo de chocolate e azeite de oliva cuja receita da Nigella ganhou meu coração. Fiz para comemorar os 2 meses da minha pequena, mas já sei que será um hit na cozinha da Lua e voilà!!! Fiz um bolo de batedeira, sem nem pensar que talvez não desse tempo, isso porque com o frio a baixinha resolveu hibernar durante o dia, pois as noites já são completamente dormidas desde quando ela tinha 1 mês e meio. E eu espero que o encanto não se quebre.

Parabéns para a gatinha!!

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Bolo de Maça, Aveia e Canela, e o valor da insistência

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Desde que Olívia nasceu ando meio desorientada na cozinha, também não é pra menos, a pequena chora e o coração de mãe aqui vai logo ver o que está se passando. Claro que tenho aprendido a fazê-la esperar, o que me dá tempo de observar e tentar adivinhar o que ela realmente quer. Fome, fralda suja, desconforto, sono ou vontade de colo são as causas mais frequentes não necessariamente nessa ordem. De fato, passado o primeiro mês tudo se clareia, como disse minha amiga Dani. Os primeiros e extenuantes primeiros dias fazem qualquer marinheiro de primeira viagem pensar apenas em naufrágio e nada mais, mas mantendo a calma e tentando olhar a situação de fora é perceptível que cada dia é mais fácil do que o anterior. Claro que tem dias de cólica mais forte, ou irritaçãozinha, ou puro cansaço de um fim de semana mais agitado. Depois desses 53 dias ao lado da pequena você começa a perceber que pode contribuir para melhorar as coisas sendo sistemático. Tendo horário para as atividades e sendo um pouco chata às vezes. Desde que instituímos o horário do banho noturno e a saída proibida do quarto até a pequena dormir, garanto que minha rotina se transformou. Olívia tem dormido a noite inteira há uma semana. Isso quer dizer das 20h30 às 6h00, temos jantado juntos e consigo descansar mais, o que me dá ânimo para cuidar mais da casa, de mim (150 abdominais diárias que preciso para colocar um músculo solto no lugar) e ter forças para cozinhar.
Insistimos na hora do sono e funcionou. Insistimos na permanência dela no bebê conforto e tem funcionado. E tenho certeza de que preciso insistir mais no sling pois sei que é bom pra mim e pra ela, pois ficamos juntas inclusive, se não principalmente, cozinhando.
Dona Olívia já fez pão, Costelinha BBQ, Pancakes a la Martha Stewart e hoje seu primeiro bolo.

Quando perguntarem para ela quando ela começou na cozinha pode responder que foi quando tinha 15 dias!

#vaiolivia

A receita é fácil de doer e é daqui.

A Pequena Padaria 11: Pão de centeio, passas e aveia

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Nada como ter uma mão livre e uma kitchenaid por perto. Fiz um pão com uma mão, mas quase não tive nenhuma para poder comê-lo a noite, pois a pequena Olívia estava rebelde e irritada depois da consulta com a Dra. pediatra e me fez rebolar das 17 às 22h para fazê-la dormir no berço. E sabem qual foi o resultado? Marido-pai ficou com ela no colo trabalhando no computador enquanto eu dormia antes da próxima mamada. Quando a encontrei de novo estava no berço como em um milagre e seguiu assim entre mamadas até que o sol raiasse.

Mas, voltando ao pão, sovar é algo que me dá prazer, mas diante da situação e com os punhos doendo de carregar a pequena com seus 4.790gr por muitas horas diariamente a Kitch faz esse servicinho pra mim e tenho direito aos outros dois prazeres da panificação: cheirinho de pão pela casa toda e comer fatias labuzadas com geléia de morango quando a vontade vem.

E assim foi e não ficou tão mal…

Pão de Centeio, Passas e Aveia (super adaptado de uma receita de Richard Bertinet)

300 gr farinha de trigo
100 gr de farinha de centeio
8 gr de fermento biológico fresco
240 gr de água
8 gr de sal
1col. (sopa) de mel
2 col. (sopa) de passas
Aveia em flocos para decorar

Misture as farinhas em um bowl. Esfarele o fermento por cima da farinha até ele se integrar a mistura.

Dilua o mel e o sal na água. Com a ajuda de uma espátula vá incorporando a água a mistura de farinhas e fermento. Misture até chegar a consistência de massa. Em uma superfície de trabalho polvilhada com um pouco de farinha de trigo, sove por uns 10 minutos até que fique lisa e homogênea, sem grudar demais nos dedos. Se estiver usando a batedeira planetária, bata na velocidade recomendada pelo fabricante com gancho próprio para a função, por 8 minutos aproximadamente.

Misture as passas a massa. Boleie a massa e coloque-a em um bowl levemente enfarinhado. Cubra com um pano limpo e deixe descansar, em local sem correntes de vento, por 1 a 1h30 ou até que dobre de tamanho.

Pré-aqueça o forno. Se tiver pedra de assar pão deixe-a esquentando.

Novamente na superfície de trabalho enfarinhada transfira a massa do recipiente, com a ajuda de uma espátula, delicadamente.

Tire um pouco do ar da massa dobrando-a sobre si mesma 4 vezes. Modele o pão no formato desejado e deixe descansar para fermentar por mais 30-40 minutos em local sem correntes de ar novamente.

Pincele levemente a superfície do pão com água e cubra-o com os flocos de aveia. A água irá ajudar a colar a aveia. Com uma faca afiada faça 4 cortes superficiais.

Coloque o pão em uma assadeira enfarinhada ou untada com óleo. Rapidamente abra o forno e borrife um pouco de água nas paredes do forno, coloque a assadeira com o pão para assar e feche a porta, reduza a temperatura para 200 graus. Asse por 30 minutos, até que fique com a crosta dourada e emita um som oco ao bater com os nós dos dedos na parte de baixo do pão. Retire do forno e deixe esfriar sobre uma gradinha.

Feito à mão: picles de rabanetes

20130710-082219.jpgDaquelas coisas que vocês só prova porque tem glamour envolvido, o rabanete. Pelo menos pra mim. Mas memórias a parte, eu pedi minha cesta de orgânicos essa semana e ela veio recheada com lindas folhas e um encantado maço de rabanetes que com a correria da semana foram ficando na gaveta e “perigando” passar dessa para uma pior. Salvo o sanduíche quente de salame, com rabanetes em fatias finas e mostarda ao mel, nada mais inventei para consumi-los. O que de fato é muito mais simples do que eu costumo pensar, apenas lavá-los e comê-los sentindo seu picante e crocante sabor como uma simples entrada ou acompanhando a salada.
Enfim, feriado a vista e muitos alimentos com risco de se perderem incluindo os rabanetes e pêras muito duras para o meu gosto, fiz das primeiras picles e das segundas um compota ao vinho do porto.

Vamos aos picles de rabanetes a la japonaise (daqui):

1 maço de rabanetes, lavados, sem talos e cortados em quatro ou em fatias
1 col. (sopa) de sal para salpicar e mais 1/4 de col. (chá) para a calda
1 col. (chá) Semente de mostarda
1/2 col. (chá) de pimenta-do-reino em grãos
3/4 de xíc. de vinagre de arroz
1/2 xíc. de água
1 col. (sopa) de açúcar refinado

1 vidro com tampa esterilizado

Corte os rabanetes em 4 pedaços, coloque-os em uma vasilha e salpique 1/3 do sal sobre eles. Cubra com água fria e deixe descansar na geladeira por 2 horas.
Aproveite para fazer a calda, para isso coloque em uma panela pequena os grãos de mostarda e pimenta para torrar por aproximadamente 2 minutos. Junte o vinagre, a água, o açúcar e o sal restante. Deixe ferver por aproximadamente 5 minutos em fogo médio. Retire do fogo e deixe esfriar.

Enxágüe os rabanetes, seque-os com papel toalha e coloque-os no vidro esterilizado. Despeje a calda sobre eles, tampe bem e guarde na geladeira por pelo menos um dia antes de comer