sal e sol

Tag: Corrida

Por que correr?

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Por que eu comecei a correr?! Devo ter falado isso em algum outro post, mas gosto sempre de lembrar para mim mesma a admiração que sentia pelos corredores profissionais ou amadores desde sempre. O fato é que tentei algumas vezes e acabei meu primeiro-e-último-treino com a sensação de frustração total e colocando os bofes para fora. Foram anos e mais anos apenas admirando esses corredores até que um dia resolvi tomar coragem e começar. O marido, então ainda namorado e depois noivo, me ajudou muito e me acompanhou nessa empreitada. Mas o que me fez realmente começar foi um fato chato, bem chato como capotar com uma caminhonete gigante na Régis Bittencourt em pleno 25 de dezembro e resolver que é melhor fazer as coisas que você gostaria fazer e principalmente ocupar a cabeça entristecida pelo susto.
Foi assim que comprei o meu primeiro mizuno em um shopping de Sorocaba com meu sogro nos dando uma carona já que “caminhonete” jazia em pátio da Porto Seguro há alguns dias. Foi assim, antes ainda do reveillon que comecei minha promessa de ano novo. Foi um ano novo e tanto esse. Corri um bocado e cheguei alegre aos 11 km, mas a vida reserva surpresas e o nome da moça é Olívia, hoje com 2 meses e meio e uma bochechas rosadas e deliciosas.
Quando descobri a gravidez parei de correr, não por recomendação médica, mas por falta de disposição. Não tinha energia para carregar uma folha de papel e depois vieram os enjôos que me perseguiram até a 14ª semana de gestação. Eu que nunca tinha corrido na vida, mais do que aquele “primeiro-e-último-treino-com-a-sensação-de-frustração-total-colocando-os-bofes-para-fora” até os 26 anos, me imaginava correndo grávida, só que não.
Apelei para uma atividade mais calma e que não necessitasse da energia doida da corrida e fui feliz com o Pilates até o 8° mês de gravidez. E sentei e esperei Olívia chegar até que um belo dia…
Daí veio a fase mais doida da minha vida, a maratona insana da amamentação e da doação de leite.
E aí Olívia com 1 mês e meio começou a dormir a noite inteira, mas a mãe besta aqui continua acordando de madrugada até hoje achando que a moça está perdida entre os lençóis. Sonhos psicodélicos a parte, o fato é que com 45 dias de Olívia no mundo minha médica me deu alta da cesárea para fazer esportes, incluindo a minha amiga corrida. Sono longo a noite, alta médica, tênis limpinhos e vontade de voltar pra pista, era tudo o que eu precisava. Com marido viajando e passando fins de semana no interior onde é possível correr ao lado de casa, e voltar em apenas 5 minutos para os braços da minha pequena, comecei.
Eu pensei, e confirmei, que não seria uma volta fácil. 11 meses depois e com a cabeça atrapalhada de mãe de primeira viagem só confirmaram o que eu imaginava. Era recomeçar, e do zero. Bem do zero mesmo. Tipo correr 18 minutos e achar que já se passaram 45, igualzinho choro de criança que parece sempre muito mais tempo do que realmente foi. Além disso a cabeça, o coração e as pernas não quiseram entrar em sincronia. Cabeça dizia: você consegue, corra pelo menos 5 km. Coração dizia: eu acho que ela está chorando. E pernas entrando em colapso gritavam “vai tomar banho, cê acha mesmo que eu vou correr essa ‘maratona’ só porque você resolveu dar uma de corredora no pós parto”. Pois é meus amigos, como eu sempre digo, rapadura é doce, mas não é mole não.

Pesadelos a parte nas primeiras tentativas, tenho que compartilhar minha imensa satisfação em dizer que mesmo aos trancos e barrancos corri 2x por semana nas últimas semanas e tem ficado menos difícil (não significa mais fácil, ok?)

Ouvi dizer por ai que Paula Radcliff voltou a correr 6 dias depois que seu bebê nasceu e venceu a maratona de Londres naquele ano. claro que ela como atleta de elite tem músculos com memória e os meus sofrem de amnésia total, claro que ela deve ter tido um parto normal caso contrário sua barriga rasgaria no meio correndo uma semana depois de uma cesárea, claro que vencer a maratona tem a mesma chance de ganhar na mega sena quando não se aposta, para mim. Claro… Claro que um monte de coisas, mas correr é amar, é ter coragem, é sonhar que sim você pode correr uma maratona e ainda vencer no final dela, porque cá pra nós não é todo mundo que consegue passar 3,4,5 horas correndo. Terminar já é uma vitória. Eu não estou conseguindo nem 30 minutos direito e já escuto a criança chorar…
Mas a verdade é que correr para mim, agora, tem um novo significado. Preciso desses 30, 40 minutos só pra mim, sem Olívia ao meu redor, para colocar as ideias no lugar, apesar de não conseguir pensar em nada enquanto corro, só no próximo passo. Preciso ser uma mãe que dá exemplo. Que leva uma vida saudável, que cuida do corpo porque ele é a nossa casa, que come direito pois esse é o nosso combustível, que corre porque fica feliz depois de correr.
Preciso mostrar pra Olívia a primeira medalha que ganhei na minha primeira corrida de rua, 5 suados e felizes quilômetros, com gostinho de vitória. Falar para ela do dia doido do meu troféu e dos 50 minutos mais longos (até agora) nos quais só pensei em desistir, mas que me fizeram pensar em tanta coisa.

Falar para ela que vou correr e depois que corri um, duas, três maratonas simplesmente porque acho bonito e porque enfiei na cabeça que conseguiria e vou conseguir. E poder ter o prazer de vê-la colocar a minha medalha em mim.
E assim recomeça o meu longo e dolorido projeto de maratona…
#vemnenem

UPDATE: Escrevi o post há tanto tempo e não publiquei que agora a Olívia já está com quase três meses. Fico feliz em dizer que a pequena dorme a noite toda desde 1 mês e meio, mama 5 vezes por dia e estou conseguindo correr 40 minutos. Ou seja, vai melhorando com o tempo. Agora tenho uma treinadora que nunca vi, mas me passa planilhas por email e sigo assim, até tudo se transformar outra vez.

No quesito corrida, 10

Os 10 K na USP, com Felipe, Nico e subida da Biologia

O bom de começar algo novo é isso, todo dia tem uma novidade, uma conquista. 6 meses e meio de corrida e um marco importante do tipo que faz você se considerar um corredor mesmo, acontece. A rotina de corrida ou a corrida na rotina está tão enraizada que nem considero mais não correr, e foi assim entre treinos curtos, médios e longos que nos aproximamos dos 10 k algumas vezes nesses meses. Depois da corrida de 8km do Circuito W Run eu só pensava em chegar aos 10 e descansar um pouco do aumento de distância e trabalhar mais a velocidade. Como iremos correr uma corrida de montanha em Campos do Jordão esse fim de semana (Felipe 9k e eu 4k pois sou medrosa de trilha) resolvemos puxar o treino um pouco mais para tentar alcançar o segundo grande marco nas corridas (considerando começar a correr um marco e tanto para mim). Resolvemos fazer isso na USP, incluindo, além do treino longo de 10k, uma histórica subida na Biologia. Que eu confesso não ter a mínima ideia do que seria. Na minha imaginação era uma rampa grande, ampla, tomada por corredores velozes que fazem você se sentir uma lesma, mas não. A subida da Biologia é uma imensa ladeira arborizada, vazia (ou quase isso) e desafiadora. Subi, firme, forte e bem disposta sem deixar de correr nem um segundo (graças a deus e ao personal coach Felipe que brigaria comigo se eu desse uma de mulherzinha depois de tanto insistir para ir correr lá). Depois do esforço desesperado da subida, vem a recompensa, uma descida em alto estilo para recuperar o fôlego, a energia e a alegria de acordar as 6 da matina 4 vezes por semana para suar a camisa e deixar as canelas doendo. Essa corrida de sábado foi prazerosa e generosa, pois sem sofrimento chegamos, – eu, o Felipe e, claro, o Nico – aos primeiros dez do resto das nossas vidas com a Biologia entre o começo e o fim. Mas vocês acham que eu sosseguei com o feito? rááá… Na-na-ni-na-não

A corrida deixa a gente cara de pau, e agora eu não penso apenas em aumentar a velocidade, mas penso também em correr a São Silvestre no dia 31 de dezembro de 2012. Eu tenho certeza que nesse dia eu ganharei a chave da cidade mais caótica, detestável e apaixonante que existe. Eu sei o quanto irei odiá-la na subida da Brigadeiro Luis Antônio e quanto amor terei para dar quando minha medalha estiver pendurada no pescoço.

O melhor é que eu tinha apenas três anos e me lembro da São Silvestre noturna…

Correr é isso, um vício e uma caixinha de surpresas um dia você quer 5, no outro 10, e rapidinho começa a querer 15. Sou corrida-dependente e todo mundo sabe disso. Bom 10k pra você também, ah e parabéns para o Solonei que arrasou na Maratona de São Paulo hoje de manhã e me fez ter certeza do quanto quero correr Sampa inteira e mais um pouquinho.

Nem tudo termina em Pizza

Pão de Fibras

Tranças

O famoso Pão de Queijo

Eu nem imaginei que um dia eu chegaria a 250 km corridos. Divididos em 40 corridas, aproximadamente, mas corridos por mim. Eu confesso que fiquei bem orgulhosa do meu feito, apesar de sentir vez por outra um certo peso nas pernas, braços e pontadas no estomago enquanto a corrida está em curso.

A tentação de correr mais e mais rápido é sempre latente em qualquer iniciante com olhinhos brilhantes, mas o pé no freio de uma pessoa com mais experiência em esportes do seu lado, como o Felipe, me impede de quebrar as canelas no meio e estragar todo o plano.

Um coisa é certa virei corredora nesses últimos 6 meses. Mas será que eu sou uma atleta?

Outras coisa também é certa comecei aulas de Panificação e decidi que talvez eu queira ser padeira!

Ô vida difícil de decidir sô!

Emil Zatopek, o Cara!

A capa do livro e o Emil fazendo caras e bocas, correndo

Pois eu disse que iria escrever sobre o livro “Correr”, de Jean Echenoz, e aqui estou eu escrevendo sobre o corredor mais incrível que já existiu: Emil Zatopek.

Emil Zatopek

Esse é, definitivamente, O Cara! Emil é de Praga, nasceu em 1922 e começou a correr quase que por obrigação. Daí pra ele virar um dos maiores corredores da história, foi um pulo. Ele conseguiu a façanha de ganhar ouro nos 5.000, 10.000 e na maratona em uma mesma Olimpíada, a de Helsinque, em 1952. Além dos muitos recordes nacionais e mundiais que conseguiu bater, correu e venceu a São Silvestre, em 1953, sob aplausos calorosos brasileiros.

Entretanto, Zatopek viveu o auge da sua carreira como corredor em uma época difícil na Tchecoslováquia, sendo perseguido pelo regime comunista que fez de tudo para acabar com a sua história.

“A locomotiva” como era chamado é um exemplo para qualquer corredor. Vê-lo correr é um prazer e um estímulo indispensável! E não faltam vídeos no youtube:

Mas melhor do que eu ficar falando aqui, é ler o livro escrito belissimamente por esse escritor premiado, que saiu pela Editora Alfaguara, em 2010.

Dona Corrida

Olha lá o tênis assassino, e eu nem sabia

Eu tenho uma amiga querida que sempre pergunta: por que você não está mais publicando no salesol? Ou diz, que bom o Felipe vai viajar, significa que você vai conseguir publicar posts no blog. Pois é, a verdade é que o Felipe nem tem tanta culpa assim por eu não publicar, mas estamos atarefados fazendo a revista online de fotografia que começamos no ano passado, estamos dando aulas, programando novos cursos, pensando em casar e por isso quase não tenho conseguido ficar em casa, fazer supermercado e pensar em coisas especiais para cozinhar. Mas, eu prometo, com a mão repousando em cima do livro do Escoffier que irei cozinhar mais para esse blog e para todos os meus amados.

Agora de correr eu não parei não, viu?! Estou firme e forte na rotina de 4 vezes por semana, só pensando na hora em que vou conseguir acrescentar um dia a mais de treino para melhorar meu tempo e distância com uma rotina mais concentrada (tipo suco Tanjal), e aí cair no mundo, seja ele de asfalto ou de trilha pra sentir o ventinho no rosto por quilometros a perder de vista!

Mas a pergunta que não quer calar é: por que mesmo com as unhas dos pés caindo, depois de terem sido massacradas por um tênis apertado quando você era completamente bocó e não sabia que sempre deve usar um pisante um número maior do que o seu pé, você (tipo eu) continua com faniquito pra correr?

A resposta é Dona Corrida eu te amo mais do que cozinhar! Pronto, falei!

Mingau, au, au

Mingau de aveia da véia

É gente, o que a gente não faz para manter o corpinho, sentir leveza na corrida matutina e relembrar os tempos da infância? Mingau. Mingau de Aveia, da “véia” Quaker (pelo menos eu vejo uma “véia”).

Mingau é uma comida que por essência dá conforto. Aquele calorzinho bom, a textura que não exige esforço, a facilidade para comer embaixo de cobertas ou em frente à tv vendo um filminho, também são pontos positivos.

Pense comigo: Mingau de Aveia

  • 3 col. (sopa) de aveia em flocos tem 159 kcal
  • 250 ml de leite desnatado tem 98 kcal
  • umas gotinhas de adoçante da sua preferência e tcharan!!!

Onde você encontra um jantar assim. Claro que nem só de calorias vive o homem, tem os carbs, as fibras, as vitaminas, gorduras e tudo o mais. Mas não custa nada olhar só para os pontos positivos de vez em quando, né?!

Para fazer é simples. Eu faço assim:

Coloque todos os ingredientes em uma panelinha, deixe lá uns 5 minutinhos. Ligue o fogo e cozinhe por mais uns 5 minutinhos até chegar a consistência desejada. Tá pronto é só polvilhar canela por cima e papar.

Esse é o meu mingau da “véia”. Afinal sempre dizem que eu sou velha demais, pois durmo cedo, acordo cedo, gosto de ficar em casa, não dou muita bola para balada. Agora que eu comecei a correr só me falta um cajado na mão, já devo estar com uns 130 anos a mais em relação a minha faixa etária. Mas também o que se pode fazer quando se tem um cachorro que pula na sua cama as 5h30 da manhã doido para ir para o parque.

Saudade de correr em trio

...

Noivo viajando e o príncipe canino de mau humor. Correr sozinha desanima!

E começa tudo de novo: rumo 8k

Planilha novinha em folha

Semana de treinos preguiçosos e visita ao Dr. Ortopedista. Fui e voltei do Dr. sem lesões, não é uma maravilha?!

As dores (zinhas) que assolavam as minhas costas deram trégua e as canelas estão estabilizadas. Sem dor não tem ganho, não é mesmo?

Fizemos inscrições para não deixar o treino afrouxar. Uma de 8 k só pra mim (e para todas as meninas dessa cidade) e uma em trilha que faremos distancias distintas proporcionais a coragem de cada um (apesar de estarmos treinando em trilha 1x por semana), eu com 4k e Felipe com 9k.

O sobe e desce das "ladeiras" que eu e Felipe vamos enfrentar

São muitos, muitos, muitos treinos até lá, mas quero manter o foco e a disciplina para tentar chegar a 8k correndo 10 feliz. Afinal só se chega a 15k quando já se passou pelos 10.

Então dia 03/06 tem Circuito W Run 8k e dia 23/06 tem Mountain Do Campos do Jordão 4 k (medo de torcer o pé na trilha).