sal e sol

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Cidra é coisa séria

Na penúltima vez que estivemos em Paris, o marido me levou a um bistrô chamado l’Ebouillante para comer uma coisinha que chama-se brik e tomar uma cidra. Eu fiz cara de espanto e disse: – Cidra?!

A cidra, o brik, a torta cremosa de chocolate

Pois é, eu nunca tinha bebido cidra (de verdade!) na vida. E essa vez no l’Ebouillante também não foi a primeira vez, pois as cidras artesanais pelas quais o marido estava à caça estavam em falta.

Agora, nessa última passagem pela cidade luz, a correria quase nos impediu de ir comer o tal brik n.11 e tentar mais uma vez experimentar a cidra, se não fosse a insistência do marido em ir lá de mala e cuia (sim, a moça que nos alugou o apartamento não tinha coração e não liberou nem um minuto a mais de estadia para nós, mesmo sabendo que nosso vôo era as 19h e nos colocando pra fora de casa as 11h) no nosso almoço derradeiro anterior a ida ao aeroporto.

Enfim, chegamos ao restaurante, marido prontamente solicitou uma garrafa de Cidra e para o meu espanto era absolutamente diferente daquilo que havia bebido um dia na vida intitulado como cidra.

Fui pesquisar um pouco e saber a origem. Cidra é uma bebida fermentada feita com suco de maças, com gradação alcoólica entre 2% e 8,5%, muito popular nos EUA, Canadá, Reino Unido, França, entre outros países. Algumas delas são produzidas desde 1870, de forma artesanal como a Le Père Jules, que iniciou sua fabricação em 1919, e obteve títulos de apelação de origem controla (A.O.C.), e já está na quarta geração familiar fabricando Cidras.

o fundador da Le Père Jules com seus Filhos

o rótulo da Cidre Le Père Jules Brut

Cidra à parte, o Brik nº11, nosso preferido é uma delícia que também vou tentar fazer em casa, com essa massa super fina e crocante(que ainda não sei ao certo do que é feita), é recheado com ovo, tomate, queijo gruyère, cebola, queijo de cabra, creme frâiche e coentro.

A Cidra que tomamos foi a Le Père Jules, Brut, 5% vol., e custou 6 euros. o Brik, 14 euros e a magnífica fatia de torta de chocolate cremosa, não consigo me recordar!

Quando puder vai lá:

l’Ebouillante

6, rue Barres, Paris

75004

 

 

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Les incontournables du chef Clément

Gente, acho que essa é a penúltima dica parisiense dessa temporada, pois estou cozinhando umas coisinhas delícia em casa e preciso compartilhar com vocês. A medida que for lembrando de outras dicas de Paris vou postando, mas não posso deixar o jacaré comendo a Torre pra sempre senão ele vai virar um crocodilo obeso!

Nossa estadia em Paris contou com um inesperado jantar, em um desconhecido (para nós) bistrô: o Chez Clément.

A decoração é um tanto quanto confusa com coisas de marinheiro, coisas típicas de bistrô, coisas modernas…, mas passando na frente do restaurante e vendo pessoas se deliciarem com pratos gigantescos de ostras e outros frutos do mar, não resistimos. Foi assim que tivemos agradáveis surpresas e um jantar delicioso.

Como já havia batido o pé e determinado que não sairia de Paris sem comer ostras, esse foi o momento ideal por se tratar de um bistrô com muita comida do mar.

De entrada: huîtres (ostras deliciosas, enormes, suculentas, que saudade!)


Para o Plat: Œufs BIO au plat, champignons et magret de canard fumé au bois de hêtre – 11, 95€

Les incontournables du chef Clément, era o título dado a essa magnífica porção de ovos com champignons e fatias de canard defumado. Um maravilha que vou tentar refazer incansavelmente, em casa.

As Gourmandises finais:  Brioche Façon Pain Perdu – 8,80 € (para mim) e Gâteau Façon Belle-Hélène 7,70 € (para ele)

Pode ter certeza, esse Gâteau de chocolate é a origem de tudo aquilo que nomeado Gâteau de Chocolate. Já o brioche eu queria poder ter pelo menos 7 desses congelados numa máquina ultramoderna que mantivesse o frescor, o sabor, o prazer!

 

Quando puder vai lá:

Chez Clement

21 bd Beaumarchais

75004 Paris

 

Beaujolais est arrivé com Moulles et Frites para acompanhar

Por muitas vitrines vi essa mensagem, seja nos bistrôs, bares, Nicolas (loja de vinhos), anunciando a chegada da nova safra do Beaujolais.

Como manda a tradição esse vinho tinto feito somente com uvas tipo Gamay, produzidos na região de Beaujolais (França), chega ao mercado sempre na terceira quinta-feira do mês de novembro. O Beaujolais Day, como é conhecido, celebra o lançamento desse vin de primeur, fermentado por apenas algunas semanas que o torna super fresco e leve, ressaltando aromas frutados. Entretanto, é criticado por especialistas por ser demasiadamente simples ou imaturo. Nós achamos uma delícia para o dia-a-dia. E como ele exige tem que ser imediatamente (ou seja nada de guardar na adega por anos), tomamos, várias garrafas!

No nosso almoço com amiga Hillary não pudemos deixar passar nem o Beaujolais, nem os Moulles et Frites.

Saudades desse Beaulolais Day!

Comida pelas ruas de Paris

As maravilhosas vieiras, ostras, clementines, morangos, framboesas, uvas, croissants, pain au chocolat, bagettes… Tá tudo lá no caminho, não importa para onde você vá, a comida te persegue. É como andar sobre um cardápio, a cada esquina um café, a cada refeição uma descoberta ou uma lembrança reavivada!

Le P'tit Fernand – Sorte nossa com certeza

Foi nesse pequeno restaurante de cozinha tradicional francesa, situado no coração de St Germain des Prés (6ème), bem atrás do Marché Saint- Germain, que tivemos o prazer de uma de nossas melhores refeições em Paris, nessa semana que passamos lá. Fomos super-master-blaster bem tratados apesar de termos chegado no final do serviço de almoço, o chef, muito simpático, não deixou passar o elogio de Felipe sobre as delícias degustadas  e disse ter sido sorte nossa poder provar as maravilhas feitas por ele. Modéstia à parte!!

O cardápio é elaborado de acordo com produtos da estação, e por isso sofre alterações com regularidade. O ambiente é de um típico bistrô francês, o senso de humor também. A indicação do guia do Herzog estava colada no vidro da fachada, e foi muito elogiado por quem trabalha lá, como uma referencia super bacana para comer realmente bem em Paris.

Os preços são semelhantes a outros restaurantes da mesma categoria, até aqui tudo bem, dentro do esperado.

Mas, quando os primeiros alimentos maravilhosos começaram a chegar eu realmente fiquei surpresa com a qualidade do P’tit Fernand, elegendo-o como um ponto alto da nossa viagem gastronômica através dessa cidade.

O marido comeu uma salada que já o fiz me prometer fazê-la para mim em casa: Salade de chèvre chaud aux pignons – 7€ (salada de queijo de cabra quente com mini pinhões). E como prato principal (posterior, pois todos são principais) Poêlée de St Jacques, legumes au wök (Vieiras fritas com legumes na wok).

Eu segui não pude evitar: Tartare d’avocats et écrevisses – 7€ (tartar de abacate com lagostim) E em seguida não resisti ao Magret de canard aux poêlée de champignons (Magret de pato com cogumelos salteados).

Tudo isso acompanhando de um vinho bom e barato, considerando que estávamos tão pertos das minas de ouro que são as magníficas vinícolas da França!

Vive La France!

Esse petit restaurant, um bistrô de quartier, é uma indicação do livro “Bistrôs de Paris”, de Alex Herzog (Ed. Bom Texto)

Quando puder vai lá!

7 rue Lobineau

Metrô: Mabillon, Saint Sulpice ou Odéon

75006 Paris

Os à moelle à la fleur de sel | Vive Le Clown!

Fomos e voltamos, mas não levei o computador, então não postei uma vez de Paris. Como muitas pessoas pedem dicas quando viajam para lá, vou publicar algumas dicas por aqui mais um tempinho, depois tudo volta ao normal.

A viagem foi uma delícia apesar de ultra-corrida, o marido trabalhando, eu trabalhando com ele e ainda tinha o blog do Paraty para postar diariamente. O tempo livre era absolutamente dedicado a exposições, passeios, amigos e, obviamente, CO-MI-DA. É sobre esse último item que vou falar nesse post.

A apenas 20 metros do Circo de Inverno (o único circo em alvenaria ainda em pé e em funcionamento em Paris), fica o restaurante Le Clown Bar um marco para os artistas circenses no século XX.

Com decoração que evoca a arte do circo, palhaços, estrelas, cartazes preenchem o ambiente e criam uma atmosfera de imersão.

Olha o teto do lugar!!

O menu é pura cozinha francesa, cheia de simplicidade, aromas, sabores únicos. Pratos como carne assada, cassoulet e outros clássicos, para não dizer antigos e esquecidos, figuram por lá.

Fomos lá após assistir ao programa de Olivier Anquier em Paris, que nos fez abrir o apetite para comer um sabor da minha infância. Sempre servido em porções mínimas, quase como um tesouro, o meu tutano era como um diamante, quando minha mãe tinha a felicidade de encontrá-lo cozinhando.

No Le Clown a história é muito diferente: comi o maior tutano da minha vida. Era tão enormemente delicioso que até dividi com com Felipe sem, nem mesmo, reclamar.

O nome francês para essa saborosa e inesquecível viagem gastronômica é:

Os à moelle à la fleur de sel, pela qual pagamos a bagatela de  7.50€

Sim, é a medúla óssea, mas é uma delícia!

Completei o meu jantar com um saboroso penne com cogumelos na manteiga, acompanhado de um vinhozinho pra aquecer os corpinhos nesse outono que já começa, de fato, a preceder o inverno.

Enfim, nota dez para tudo, inclusive para o atendimento que não se assemelha em nada a paranóia de São Paulo, onde você mal pode respirar que já tem alguém no seu cangote tentado te ajudar. No Le Clown o simpático atendente é o bar man, o caixa, o garçon, o mâitre. Ele cuida de tudo com calma, enquanto os parisienses dão uma aula de como apreciar a vida, as longas refeições, as companhias, tudo sem pressa!!!

p.s. Merci, Olivier, nosso jantar foi uma maravilha graças a você!

(!) Ah, quando puder vai lá:

Le Clown Bar – 114, Rue Amelot, 75011 Paris

Dica do Jour

Perca-se nas inúmeras possibilidades de caminhos do metrô de Paris. Ele leva a todos os lugares e com um planejamento bem feito, pode-se combinar vários programas numa mesma região.

Que tal:

  • um passeio por lojinhas handmade + um almoço num bistrô + uma visita a um museu.

Não importa em que direção, tem!

Para ver outros mapas lindinhos como esse de NY, Seul, Londres, Tokyo, Copenhagen, clique aqui.

Será essa a próxima vez de conhecer o que não conheci?

Pra quem ainda não percebeu, sou completamente apaixonada por Paris. Fui a primeira vez pra comprovar e a segunda e todas as próximas pra tentar conhecer tudo o que eu puder.

Hoje li um texto na coluna “Opinião / Especialista”, da Danuza Leão no caderno de Turismo, da Folha de São Paulo. O caderno com título de capa “Luzes de Fim de Ano em Paris” tem um texto da Danuza que  é quase um segredo compartilhado. Intitulado “Dá pra acreditar que nunca subi na torre? – Danuza Leão, haituée de Paris, conta que nunca vai a pontos turístico, mas promete visitá-los da próxima vez” é um afago na minha aflição.

Senti um pouco de culpa quando deitei a cabeça no travesseiro na minha última noite em Paris há quase dois anos atrás. Fiquei pensando se teria a chance voltar àquela cidade linda mais uma vez, que deveria ter ido até o Arco do Triunfo de Napoleão (só vi de longe, ainda bem que é gigante), ter subido na Torre, ter sido menos chata e visitado o Louvre nos primeiros dias e não na última tarde (assim poderia ter ido 2 ou 3 vezes) e assim por diante.

Eu tenho uma certa aversão a turistas que parecem baratas tontas com suas câmeras digitais olhando pelo LCD e não para a Notre Dame, fotografando a pobre coitada da Mona Lisa sem nem querer saber de mais nada que tem no caminho que vai até ela, de cachecóis com inscrições repetidas de” I ♥ Paris”. Mas eu sou chata! cada um tem direito de curtir sua viagem do seu jeito.

O texo da Danuza fala disso, com o pequeno detalhe que diz que ela deve ter ido umas 80 vezes a Paris. Eu ainda estou indo pela segunda (de muitas) vezes e concordo com ela que dá próxima vez (que seja nessa) irei visitar vários pontos turísticos, porque: “é essa história de não querer fazer programa de turista que atrapalha a vida. Mas afinal, o que eu sou lá?” (Danuza Leão)

O fato é gostei de me sentir fazendo coisas de parisienses, comprando meu queijo, minha bagette e meu vinho, de braços dados com o meu (mais um possessivo) Felipe e indo para a nossa casa, como se morássemos lá há séculos. Gostei quando um parisiense nos perguntou uma informação, gostei de ter passado despercebida pelo vendedores de coisas múltiplas na subida da escadaria da Sacre Couer!

Dessa vez terei três dias sem o Felipe pois ele estará com comprimissos, então eu comprei um guia de viagem e, alimento a vontade de conhecer Versailles!

No próximo post: Guias para uma viagem com a sua cara!

 

 

 

L'amour… Paris… L'amour