sal e sol

Tag: gastronomia

Promessas, livros e mais livros

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Por mais que eu diga para mim mesma que vou postar mais no blog, no fim das contas simplesmente esqueço diante das aventuras cotidianas de mãe de um bebê bagunceiro e engatinhante que ocupa todos os espaços da casa e do meu coração. O tempo que me sobra livre na única soneca do dia e, que por sorte minha é no horário pré almoço, me serve para inventar alguma coisa maluca para almoçarmos ou correr contra o tempo fazendo algo diferente. Não muito raro Olívia acorda bem antes do previsto quando ainda estou com as claras em neve ou com o frango na marinada. Catástrofe!!! Seria, se não tivesse marido que trabalha em casa e me permite terminar a tarefa iniciada mesmo que eu ainda me sinta com a corda no pescoço. É como se Olívia fosse o Gordon Ramsay no Hell Kitchen! Enfim, confusões a parte, por incrível que parece tenho conseguido fazer uma coisinha aqui outra ali. Mas das coisas que tenho feito e tenho gostado mais do que meu próprio bolso é aumentar minha coleção de livros de culinária e algumas das aquisições dos últimos meses foram bem especiais.
Consegui o esgotado Alho e Safiras, de Ruth Reichel, através do inesgotável estante virtual, e estou adorando tanto quanto os seus dois anteriores A Parte Mais Tenra e o Conforte-me Com Maças. Li o lindíssimo e, sem dúvida, dos mais amados Papel Manteiga, da Cristiane Lisbôa. Estou no meio do caminho do Escola de Sabores, de Erica Bauermeister. Sigo em parcelas lentas e fumegantes a leitura do Não é Sopa, da adorável Nina Horta. Para os fazeres e panelas me sinto afortunada com os dois lindos Tender e Ripe, do amado Nigel Slater. A Pequena Cozinha em Paris, de Rachel Khoo que faz a minha cozinha parecer gigante e a coragem para fazer clássicos franceses, revisitados e descontraídos, com uma frequência nunca antes imaginada. Já o belíssimo Quando Katie Cozinha, da Katie Quinn Davies enche os olhos e o estômago com uma das produções editoriais-fotográficas mais lindas que possuo. Ainda posso acrescentar a lista O Le Pain Quotidien, com receitas da famosa padaria cuja geléia de ruibarbo ainda me faz ter suspiros pensando nas poucas vezes que estive por lá. Já o Cozinha Medicinal, Dale Pincock a pegada é outra, mas não menos interessante, ousada e deliciosa, seu risotto de beterraba com queijo de cabra é capa do livro e é sensacional, aprovado por paladares jovens e sem papas na língua como da minha pequena Olívia.
Com a ajuda da minha nova consultora de livros e companheira de jornada de amante da boa comida e das letras, Danusa Penna, da Livraria da Vila, da Vila Madalena, e dona do blog Jeanne Moreau Já Sabia, ainda adquiri o belo e muitíssimo útil para mulheres econômicas e deseperadas para fazerem uma meia dúzia de tomates colhidos a mão e dados de presente ainda com cheirinho de horta durarem mais tempo na nossa companhia, Salgado, Doce, Defumado, de Diane Henry, para desmistificar o mundo mágico das conservas e curas. Pra fechar com chave de ouro e gostinho de molho de tomate da mamma, da nonna, da fillllhhha, Fundamentos da Cozinha Clássica Italiana, da fofíssima Marcella Hazan, que é indispensável e deveria constar na estante de livros de cada um que se aventure nas panelas e tomates e cebolas e afins. Doeu na consciência recapitular e quando estava finalmente terminando meu pai chegou com mais uma surpresa agradável. O livro Les Carnets de Monbento que compila receitas clássicas francesas, suas histórias, ilustrações lindas e uma proposta nova para o que consideramos intocável como la alta gastronomia: colocar tudo em marmitas. Ui. Certo que são marmitas lindas, mas ainda assim são o estilo “to go” para saladas, pratos principais e até sobremesas como le foie gras, la soupe à l’oignon, la salade niçoise, la gratin dauphinois, le coq au vin, le pot-au-feu, la bouillabaisse, la tarte tatin, la poire Belle Hélène, le cannelé de Bordeaux entre tantos outros.

O livro é uma gracinha e a marmita um luxo. Estou apaixonada e pensando em encaixotar comida só por diversão. As receitas são de Frédéric Coursol. E como eles mesmo definem não se trata de um livro de receitas e sim um “culinary trendbook”.

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Então, Itália

Minha paixão por Paris e culinária francesa me fizeram pensar por muito tempo que sempre que tivesse tempo, dinheiro e ocasião para atravessar o oceano, iria para a terrinha do crème brulée. O tempo passa, as coisas mudam, a gente casa (casa mesmo!) e pensa onde gostaria de passar a lua de mel. Assim meio que por acaso e por destino fomos parar na Puglia, terra de Giuseppe Gerundino dono da escola de culinária onde me formei em gastronomia há alguns meses atrás.

Estávamos sem muita certeza de onde iríamos para aquela de deve ser a mais memorável das nossas viagens como um casal. Foram tantos destinos pesquisados e descartados que nem acreditei quando chegamos a um acordo com a palavra Puglia escrita no Google Images! Esse sempre foi meu método para descobrir como são as coisas “de verdade”, experimente colocar Maldivas no Google, depois São Paulo, depois Tóquio. Fizemos isso com a Puglia e a pesquisa de imagens que nos veio era bem animadora: Mapas,  mar azul turquesa, cidades históricas, campos de oliveiras centenárias, vinhedos maravilhosos e comida, das boas.

Depois de trocar alguns emails com Giuseppe especialista na terrinha, comprar um guia do Sul da Itália e fazer reserva em dois hoteis com uma parada estratégia em Milão antes de tudo, fomos felizes, casados, ansiosos para a viagem mais linda e mais encantadora que eu (falo por mim!) poderia fazer.

A Puglia é o “saltinho” da “Bota” chamada Itália, terra dos molhos de tomate e tomates mais incríveis, azeite extraordinário, pessoas sorridentes e comilonas, além de muita mussarela de búfala, burrata, pimentões, abobrinhas, vinhos brancos, vinhos tintos, peixes, frutos do mar e uma lista inesgotável de gostosuras que me fazem sonhar que estou comendo por lá uma semana depois de ter retornado a Sampa.

Duas semanas na terra do azeite Italiano foram o suficiente para eu desconfiar que comi pelo menos 1,5kg de azeitonas no período e que poderia comer muito mais se outras deliciosas distrações não aparecessem no prato. Além da perna inteira de presunto cru que agora faz parte da minha constituição abdominal.

Visitamos Locorotondo, Alberobelo, Fasano, Ostuni, Cisternino, Otranto, Sta Maria de Leuca, Polignano al Mare, Gallipoli, Galatina e ainda demos um pulo na Basilicata para conhecer Matera e ficarmos de queixo caído. Mar Adriático de um lado, Ionio do outro, não poderia ter sido mais incrível.

As cidades são lindas, cada uma com o seu jeitinho. A comida sempre boa e simples me acompanhará para a vida toda. Os deliciosos Taralli (biscoitinhos de farinha de trigo, vinho branco e azeite) já entraram na lista das coisas que comerei para sempre e já até os fiz para amigos queridos que passaram aqui em casa para bebericar dos vinhos que trouxemos na mala.

Enfim, Itália!

Bonne Année

Josek Kouldelka, por Bill Jay e Julia Child em ação

Já faz um tempo do último post pra cá, o que aconteceu é que desde que o menino voltou de viagem estamos dando duro para recolocar coisas do modobulb no lugar, pois nessa semana semana começaremos nosso curso de projeto fotográfico, no escritório. Nesse meio tempo comecei com muito prazer e entusiasmo o tão esperado curso de Formação em Gastronomia, da Accademia Gastronomica, de Giuseppe Gerundino.

A semana anterior foi de preparação, conforto do lar, carinho do Nico (meu cachorro tão fofíssimo). Vimos vários filmes que depois merecem comentários, entre eles Julie e Julia (de novo), Sem Reservas (bobinho, mas serviu para entrar no clima), Como Água para Chocolate (pela milésima vez)! Na mesinha de cabeceira devorando a cada dia, Destrinchando, de Julie Powell e My Life in France, de Julia Child. Mais conhecidas como Julie e Júlia =)

As aulas começaram na semana passada, mas já consigo sentir os efeitos de uma nova postura em relação aos alimentos, o pânico de estar frente-a-frente com um ingrediente vem se transformado em um misto de prazer e responsabilidade. Levar um determinado ingrediente a perda total não é o desejo de ninguém e muito menos o meu. Então muita calma nessa hora, como um caçador que observa sua presa, eu tenho observado mais cada coisinha que se diz comestível.

Tenho tentado ser firme na pesquisa, nas leituras, no estudo. Procuro tempo para exercitar as Habilidades Básicas, os termos e a imaginação. Acho que está correndo tudo como deve ser, principalmente por que descobri que com bons ingredientes, técnica apurada e um equipamento (vulgo tralha) de excelente qualidade, tudo fica muito melhor, se houver empenho!

O arsenal de cozinha melhorou, e muito, com presentes do pai, da sogra e do Felipe. Facas Zwilling J.A. Henckels, um fouet e um descascador de legumes novos, uma linda chaira, um afiador da Wüsthof  e uma placa da Silvermark que balança, mas não cai! Pra ler, Todas as Técnicas Culinárias, da Cordon Bleu, nossa bibliografia básica!

Agora preciso me habituar com mise-en-place, beurre manié, roux, bouquet garnis que irão me acompanhar pelo resto da vida!

Na penúltima vez em Paris tive a sorte de receber uma mensagem de ano novo de um dos fotógrafos mais incríveis do mundo, Josef Kouldelka (Magnum Photos), que me agraciou com um beijo estalado na bochecha e um Bonne Année pra começar um bom ano, como esse de estudos que será maravilhoso. Aluna de manhã, professora a noite!

É isso! Voilà!  Parafraseando Julia Child: – Bon appetit!