sal e sol

Tag: Haruki Murakami

Nascida para ler e para correr: Um post sobre livros, corrida e tecnologia

livros sobre correr

Eu sempre fui “cedê-efe” demais desde o dia que nasci. Sempre achei que o conhecimento estava nos livros, ainda porque fiz muita pesquisa pra escola nas Enciclopédias e passei anos sem nunca ter visto a cara de muitos cantores que curtia porque não retrato deles tinha na encartes dos lps e cds. Foi só um dia desses, há uns dois anos atrás, que atentei para o fato de que poderia ver todos eles pelo google images. Fantástico, né?!

Enfim, eu acho que inventaram um jeito de viciar a gente nessa coisas de wikipédia e google e tudo o mais, pois depois que inventaram o iphone, e depois que eu finalmente pude ter o meu próprio i-tudo tenho aquele prazer-imenso-da-recompensa-imediata-do-conhecimento-instantâneo que só a internet pode proporcionar. Mas os livros, esses nunca me largaram ou largarão. Tenho certeza. Neles que a gente encontra objetos esquecidos entre folhas amareladas, cheirinho de novo, de velho, de tinta, de coisa que o iphone nunca vai substituir. Nem o ipad, nem imac, nem o inada. Pelo menos acho que não, pois dizem que o Jobs já está na cloud com Michael, Ayrton Senna e Ral Seixas há um tempo. Inclusive um que foi fazer parte da turma chama-se Micah True ou Caballo Blanco. Esse cara que eu pelo menos nunca tinha ouvido falar é o herói do livro “Nascido para Correr”, de Christopher Mc Dougall. Pausa para um comentário: Eu falei que sempre fui cedê-efe e que o conhecimento para mim vive agrupado em bloquinhos chamados livros, né? Mas também acredito no pensamento complexo e no Edgar Morin. Mas, voltanto, quando comecei a estudar fotografia, li (e ainda leio) um monte desses bloquinhos a respeito da dona moça, depois comecei a ler alguns (que continuo lendo até hoje) de gastronomia, ai veio a corrida, que não seria o patinho feio da turma, concordam?

O primeiro que li sobre o assunto foi o do meu “mestre espiritual” Haruki Murakami, “Do que eu falo quando eu falo de corrida”, que saiu pela Editora Alfaguara e me fez sair de casa, de fato, para correr. Definitivamente Murakami está no topo da lista, junto com Felipe e Nico que me tiram da cama as 6 da manhã e me fazem calçar o tênis mesmo que os meus olhos ainda não estejam completamente abertos. Sobre Murakami, Felipe, Nico e sobre começar a correr falei aqui e aqui.

Segui desse para um muito gostoso e rápido de ler o “Maratonando”, de Rodolfo Lucena (Ed. Record) que conta suas aventuras correndo provas de longa pelos 5 continentes. A ele eu agradeço o sonho que não me abandona um dia sequer, de desbravar cidades, conhecer pessoas, aprender histórias, munida apenas de um par de pisantes, shorts, top e disposição (no caso do Rodolfo o top não é necessário, em contrapartida ele tem a barba que sempre o acompanha). Um dia, querido Rodolfo, vou te encontrar correndo por aí e vou agradecer pelos relatos divididos, e por me fazer pensar que eu também sou capaz de entrar correndo em estádios, viver momentos mágicos em montanhas e guardar medalhas como se fossem exatamente o que elas são: medalhas, de vitória por ter a coragem e a vontade de correr. Dele ainda vou comprar o “Mais Corrida – Pensamentos no Asfalto” e o The Marathon Maniacs que tem um relato desse figura que também é colunista da Folha Online, no blog + Corrida.

Daí, lendo e fuçando revistas, blogs e coisas do gênero que ouvi falar do Nascido para Correr, e embarquei nele por dias, mudei minha visão sobre corrida, pisantes, distância e objetivos. Esse livro fala de pessoas que correr muito, correr pra valer, correm ultras. Correr ultra significa correr mais de 42.195 metros. 42 km é quilometro pra chuchu gente. Esse livro é tão mágico que pensei: “isso é ficção, certeza!” Aí veio o Google (tipo conhecimento multimídia, hahaha dos livros para a internet e para os livros de novo) e me disse que não era ficção, não. Cada nome de corredor que coloquei no google apareceu um sujeito ou sujeita referente trajando roupas esportivas e correndo como malucos em situações diversas. Era tudo verdade, pessoas que correm 120, 140, 160 quilometros. Como assim? Pois é correm e pra piorar (ou melhorar) tem alguns que correm de sandálias e até descalços. Juro, fiquei maluca com essa história. E ai o autor conta tudo bem detalhadamente da tribo de índios tarahumaras, conhecidos como os maiores corredores do planeta, a história da nike, dos tênis, das lesões, das corridas mais extraordinárias do mundo e das pessoas que são meus heróis. Caballo criou um mundo em torno dessas idéias e infelizmente morreu enquanto eu ainda estava lendo o livro, nas últimas páginas desse relato genial sobre correr e sobre nossa condição histórico-biológica-inata de corredores. Massa, né?

Enfim, hoje vi um vídeo bonito-bonito-mesmo de um fotógrafo que documentou a corrida idealizada por Caballo Blanco que aconteceu esse ano, 2012, a Cooper Canyon Ultramarathon 80 km, e que me deixou feliz por que na minha imaginação ela era linda exatamente assim. Para ver o vídeo clique AQUI e para ver fotos desse e de outros trabalhos do fotógrafo Luca Kleve-Rudd clique AQUI.

Para saber mais sobre o Chris McDougall clique AQUI e também veja o vídeo dele falando no TEDx Penn Quarter AQUI.

Pra fechar com chave de ouro um vídeo um dos meus novos ídolos Scott Jurek falando sobre um monte disso tudo:

Mas como uma coisa leva a outra, o conhecimento e eu tenho a sorte de conseguir ler até três livros ao mesmo tempo (contanto que sejam razoavelmente diferentes), estou dividindo tempo livre dos dias e das noites entre Murakami, Jonathan Safran Foer e o recém chegado na família dos livros sobre corrida “Correr”, que conta a história de corredor figura chamado Emil Zatopek, mas isso já é história para outro post.

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Correr e Comer

Os livros de Anthony Bourdain e Haruki Murakami

Depois de ler as escancaradas portas do Cozinha Confidencial, de Anthony Bourdain, engatei quase que automaticamente o livro Do que eu falo quando falo de corrida, de Haruki Murakami. O que os dois tem em comum além do fato de serem grandes romancistas, viajarem bastante e escreverem sobre isso, é que eles têm determinação, perseverança e concentração extrema para aquilo que estão fazendo. O que impulsionou Bourdain para as panelas foi um motivo bem distinto, porém tão casual, quanto o que levou Murakami às corridas de grande distância.

O primeiro chocado com o sabor das primeiras ostras de sua vida, de ter sido excluído em um almoço em um grande restaurante quando ainda era garoto e dotado de habilidade nata (ou o mais puro e delicioso talento) para o metier, virou chef. Já o segundo decidiu aos 29 anos largar o bar de jazz que administrava para tornar-se escritor. Com 33 percebendo que o ofício de romancista exigia horas e horas e horas sentando em uma cadeira escrevendo decidiu começar a correr.

Dos dois livros tiro importantes conselhos na cozinha e na corrida. A primeira já é um grande caso de amor a segunda ainda uma paquera tímida e discreta, mas ambas assustadoras para mim. O relato de Anthony faz tudo parecer muito mais terrível do que eu imagino que realmente deva ser dentro de uma cozinha. Apesar do humor, das grandes histórias inesquecíveis e dos momentos de calmaria que ele destila ao longo do livro, ainda paira no ar um tom de isso é para “homem”, “você tem que ser bem macho pra aguentar isso aqui” (homem e macho obviamente incluem mulheres bem bravas). Murakami vem com a calma, a organização e o método, provando que qualquer um é capaz de correr 10, 15, 20 ou 42,195km (uma maratona), contanto que se tenha em mente bem claro os seus objetivos. E vai além quando relata sua experiência na ultramaratona e nos triatlos. Vale considerar que hoje ele já é um senhor de idade em plena atividade física.

Ontem, sem intenção de encontrar essas imagens, em uma pesquisa no Google encontrei duas fotos que me deixaram bem contente: Gordon Ramsay e Michel Roux Jr, correndo (em situações diferentes, claro). Correndo, correndo mesmo. Correndo maratonas. Qual o primeiro pensamento que me vem a cabeça? Síntese. Chef e maratonista. Alimentou ainda mais a minha idéia de que eu também posso, apesar do peso que Boudain dá ao ofício, e da imensa força de vontade necessária para pular da cama diariamente e sair correndo por ai, que Murakami deixa explícita em seu livro.

Michel Roux Jr antes da Maratona de Londres e Gordon Ramsay durante a de NY

Seguindo um conselho do romancista corredor, sempre que atingir uma meta na corrida se dê de presente uma recompensa, eu comprei o livro The Marathon Chef, de Michel Roux Jr., com receitas de um chef para corredores. Mas só abrirei ele quando minha segunda meta for atingida. 40 min.

Cozinho porque amo. Corro porque quero. Pelo menos é assim que as coisas estão agora.