sal e sol

Tag: Torta

Curd de limão, finalmente

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Fazia tempo que ensaiava fazer o meu primeiro curd de limão imaginando que marido gostasse de tortinha com esse recheio. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir, quando finalmente decidida a fazê-lo, que marido não gosta muito de torta de limão. Hunf…
Inventei outra coisa que pudesse realizar tendo pois o prazer de cozinhar um creme com cor de ouro e sabor inebriante. Topei sem querer com um vídeo da doce Rachel Khoo no qual ela fazia lindas madeleines de limão e framboesa, recheadas com o curd.
As madeleines foram receita de Khoo, mas o curd devo a autoria ao A Cozinha Coletiva, blog que amo.

Posso dizer que estou rica com dois potes de ouro, ops! curd, na minha geladeira.

Curd de Limão

Ingredientes
Raspas de 2 limões sicilianos
1 xíc. suco de limão (usei siciliano e tahiti)
1 xíc. açúcar refinado
2 ovos
2 gemas
120 gr manteiga sem sal
1 col. (chá) de extrato de baunilha

Preparo
Leve ao fogo as raspinhas da casca de limão, o suco e o açúcar, em fogo baixo, até levantar fervura. Nesse meio tempo bata de leve os ovos e as gemas em um bowl. Reserve.
Quando a mistura de limão e açúcar ferver desligue o fogo e derrame aos pouco um pouco dela na tigela dos ovos, mexendo sem parar com um batedor de arame/fouet. Devolva tudo para a panela e cozinhe em fogo baixo, mexendo constantemente até o creme engrossar e ganhar uma linda cor amarelo ouro. Desligue o fogo e deixe esfriar por uns 10 minutos, mexendo de vez em quando para não formar película.
Passado esse tempo adicione a manteiga aos poucos até ela se incorporar completamente, então adicione mais um pouco. Adicione a baunilha e seu curd estará pronto.

Guardei em dois frascos de vidro na geladeira para fazer, além do recheio das madeleines de hoje, uma torta de limão que marido não vai ter como não gostar.

Sweet Sexta: Tarte Tatin de Banana e tudo de cabeça pra baixo

tarte de banana

Pequena eu pensava: se a gente está de cabeça para cima, os japoneses estão de cabeça pra baixo?

Hoje eu entendo que além dos japoneses muitas coisas ficam de cabeça pra baixo e a gente nem se dá conta. Desde que fiquei grávida eu me sinto um pouco assim. Além de excessivamente atrapalhada, fico pensando no que vai acontecer daqui umas semanas ou um minuto, já que com 37 semanas Olívia pode chegar a qualquer momento.

A gente fica mais mexido mesmo, não tem jeito. Por mais durona que você tente ser tem hormônio demais circulando pela corpo, te transformando em alguém que você nunca mais vai deixar de ser, tipo mãe. Eu confesso que ainda não me sinto mãe, mesmo com a barriga, o ultrassom, o quarto montado, as roupas lavadas e passadas, a mala da maternidade pronta e o freezer cheio de comida. Ser mãe é outra história. Só quando nascer a gente descobre. Tipo loteria mesmo. Eu, como qualquer outra mulher grávida no mundo (pelo menos é o que eu imagino), quero ser uma boa mãe, mas o que é esse ser “boa”? Na minha condição de filha minha mãe foi uma boa mãe. Na minha condição de futura mãe sempre acho que podemos melhorar aqui e ali, e digo isso por mim, não pela minha mãe. A gente tenta ser mais compreensível, tenta cuidar mais da própria vida, do próprio umbigo, mas tenta ser menos egoísta, mais cuidadoso e carinhoso, tenta ajudar mais e ter mais paciência. Entre outras mil coisas que a gente nem se dá conta que está fazendo.

De umas semanas pra cá descobri que a Olívia já está de cabeça pra baixo. Semanas de cabeça pra baixo, esperando a hora de nascer. Quanta paciência, né?! Eu fiquei preocupada, perguntei a médica se tanto tempo nessa posição não faria mal, ela disse que ninguém nunca ficou traumatizado por ficar de cabeça pra baixo na barriga da mãe e Olívia não seria a primeira. Bebês não estão nem aí se estão assim ou assado dentro do líquido amniótico e útero quentinho da mãe. Mas eu estou aqui de cabeça pra cima e besta com a sensação de que tudo está de cabeça para baixo ou ficará em alguns dias, semanas ou minutos, afinal nunca se sabe quando ela vai resolver, de fato, chegar. No fim as coisas se acertam e como o marido diz em alguns dias com a Olívia em casa vai parecer que ela sempre esteve conosco, sem dramas, sem medos, sem grandes revoluções, às vezes de ponta cabeça às vezes de cabeça pra cima.

E nessa gangorra de emoções e com a sensação de que o tempo está se “esgotando” eu fiquei mais corajosa e nem eu acredito nas coisas que ando fazendo. Mesmo com o marido dizendo que vou conseguir cozinhar, no fundo eu tenho a sensação de que é agora ou nunca, de que preciso aprender a fazer algumas coisas hoje pois depois não terei tempo, e sei que é pura bobagem, mas mesmo assim faço e ocupo a cabeça e canso a coluna com horas a fio na cozinha, fazendo pães, doces, limpando, guardando, lendo, estudando.

Minha primeira torta invertida foi assim. Minha Tarte de Banana. Uma versão da Tarte Tatin. Uma torta de cabeça pra baixo, mas que nunca poderá ser de cabeça pra cima, se não não é o que é.

Uma forma com bordas arrendodadas ajudaria? Ajudaria. Banana um pouco mais maduras ajudariam? Ajudariam. Um forno que mantem a temperatura que as receitas indicam e você necessita ajudaria? Opa, se ajudaria. Mas deixa de desculpa esfarrapada e faz. Se der errado deu. Não foi assim com as duas irmãs que acidentalmente inventaram a receita? Se desse certo sempre não teríamos tarte tatin. Se ficar bom, melhor. Isso é o que chamo de coragem na cozinha. O que é melhor tem um saco de 500 gr de farinha de trigo bem protegida ou uma ciabatta quentinha saindo do forno? Eu fico com a segunda opção, mesmo que demore 3, 4, 5 pacotes de farinha para ela chegar.

Ciabatta você não escapa…

Tarte Tatin de Bananas

(Jamie’s Food Revolution)

Para 6 pessoas:

  • 60 gr de manteiga sem sal
  • 150 gr de açúcar refinado
  • 4 bananas grandes
  • 1 laranja
  • Canela em pó para polvilhar

e também…

  • Farinha de trigo para polvilhar
  • 250 gr de massa folhada (que eu recomendo comprar pronta) ou a Patê Sucrée

Opcional: Crème Fraîche

Opcional: Sorvete de baunilha para servir

Caramelizar as bananas: Pré-aqueça o forno a 180ºC. Em uma assadeira funda de aproximadamente 19x 30 cm derreta a manteiga em fogo baixo, eu fiz direto na minha frigideira, mas ela pode ir ao forno, pois o cabo é de aço inox. Quando a manteiga tiver derretido acrescente o açúcar e continue cozinhando por alguns minutos, mexendo de vez em quando, até obter um caramelo dourado. Cuidado para não queimar a sua calda. Enquanto isso descasque e corte as bananas no sentido do comprimento e coloque-as no açúcar caramelizado, com cuidado para não se queimar. Tire do fogo, polvilhe canela e raspas da casca da laranja. Deixe esfriar um pouco antes de esticar a sua massa folhada por cima ou sua pate sucrée. Acomode bem a massa sobre as bananas empurrando um pouco entre os espaços (coisa que eu não fiz, então as bananas ficaram um pouco soltas). Faça alguns furos com um garfo para permitir a saída de vapor e ponha a assadeira na prateleira de cima do forno pré-aquecido por 25-30 minutos, ou até dourar.

Para desenformar seja cuidadoso, pois a tarte deverá estar quente. Não precisar estar borbulhando, mas ainda deverá estar quente pois o caramelo endurece ao esfriar. Vire-a de uma só vez em uma travessa ou prato e sirva morna com uma bola de sorvete por cima ou o creme fraîche.

Patê Sucrée (Massa para tortas doces) – rende 400 gr

(Le Cordon Bleu – Todas as Técnicas Culinárias)

  • 200 gr de farinha de trigo peneirada (peneirar deixa a massa mais oxigenada e por isso mais leve e crocante)
  • 1 col (chá) de sal
  • 100 gr de manteiga sem sal gelada, em cubos
  • 1 ovo ligeiramente batido com um garfo
  • 2 col. (chá) de água
  • 1 col. (sopa) de açúcar refinado

Misture a farinha, o sal e o açúcar. Junte a manteiga esfregando com os dedos. Ficará com aspecto de farofa úmida. Bem arenoso. Junte o ovo e a água o suficiente para dar liga. Deixe homogênea, mas não precisa sovar. Enrole em plástico filme e leve à geladeira por 30 minutos, pelo menos, isso evitará que ela encolha ao cozinhar e mantenha a manteiga firme.

Para abrir a massa, coloque-a sobre uma superfície ligeiramente enfarinhada e com a ajuda de um rolo abra-a 4 ou 5 cm de diâmetro a mais do que a sua torta/assadeira/frigideira.

Obs. 1: Massa Esfarelada: A Patê Sucrée e a Patê Brisée são as massas para uso em tortas, quiches, empadões. Ambas tem a mesma base e preparo, a única diferença entre elas é que a Patê Sucrée leva açúcar e se presta a preparações mais doces.

Obs. 2: Você pode congelar a massa esfarelada, enrolada em filme plástico. Outra opção é prepará-la com antecedência e deixá-la embrulhada na geladeira. Se estiver muito firme retire da geladeira 20 minutos antes de usar, para facilitar a abertura com o rolo.

O retorno e uma torta de frutas azuis

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Ok, ok. Eu achei que minha volta para casa depois de 1 mês e 20 dias fora para a reforma seria um pouco mais triunfal. Confesso que na minha imaginação eu conseguiria arrumar tudo (ou quase tudo) em seu devido lugar. Deixar a casa limpinha e perfumada e poder me deliciar em banhos bem iluminados, sem ter que puxar água com o rodinho e, também, sem o peso na consciência de não estar vazando na cabeça do meu vizinho.

No fim foi quase tudo assim. Os banheiros estão lindos de morrer. Muito mais lindos do que eu imaginei. Crédito para a amiga querida e arquiteta Mari. Os banhos são maravilhosos, não preciso mais do rodo, não tenho peso na consciência, consigo até escrever uma monografia no banheiro de tão bem iluminado que está. Mas, para não ser tudo tão perfeito, alguns detalhes não sairam como esperado. Primeiro, minha fiel escudeira Mag não poderá mais me ajudar na limpeza da casa que ela fazia uma vez por semana, e agora com a chegada da Olívia essa é uma preocupação que vem tirando o meu sono, pois não gosto de gente dentro de casa, sobretudo se não confio plenamente. Por isso mesmo, ter uma babá para me “ajudar” não é algo que eu cogite, mesmo se tivesse dinheiro para isso. Vou precisar de alguém uma vez por semana, e precisarei ainda essa semana pois com meus quilos a mais e ansiedade louca de voltar para casa estropiei a coluna e quase não consigo nem andar. Pelo que estou sentindo é o nervo. O nervo ciático desgraçado que resolveu dar um chilique na semana que mais esperei desde o dia que começamos a pensar seriamente em reformar.

Foi assim, de supetão. Limpei o que podia e o que não podia e nem quinze minutos depois recebi a conta que estou pagando a quase uma semana. Muita dor na “coluna/perna” e a impossibilidade de fazer coisas que me exijam ficar muito tempo em pé, como cozinhar; ou sentada, como costurar; mas deitada também dói, o que significa dizer que dormir também não tem sido muito fácil.

Legal né?! Pelo menos os banheiros são um sonho e não vejo a hora de poder dar banho na pequena, isso se a minha ciática permitir.

Mas não posso mentir que não cozinhei. Fiz uma torta de frutas azuis para um jantar de amigos queridos e um franguinho de forno marinado no limão siciliano.

Como dizem por ai eu não estou gestante e sim gestonta e pude comprovar isso fazendo tentando fazer a divisão da receita da massa paté sucré de cabeça. E olhe que nem eraa grandes e complicadas divisões, era só dividir em dois e ainda assim esqueci de dividir o sal e meus amigos queridos e marido amado comeram torta de frutas silvestres doce com massa salgada. Nem comento…

Torta de Frutas Azuis ou Vermelhas, se você quiser

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Pâte Sucrée – do livro Le Cordon Bleu – Todas as Técnicas Culinárias

Essa massa é muito gostosa e pode ser usada em diversas preparações. A massa esfarelada é muito simples de fazer. A Pâte Brisée (salgada) ou Pâte Sucrée (doce) usam a mesma técnica de confecção, acrescentando o açúcar para a preparações doces.

  • 200 gr de farinha de trigo peneirada
  • 1 col. (chá) de sal
  • 1 col. (sopa) de açúcar
  • 100 gr de manteiga sem sal, em cubos,  gelada
  • 1 ovo
  • Cerca de 2 colheres (chá) de água (se necessário

Peneire a farinha em uma vasilha funda, misture o sal e o açúcar. Desmanche a manteiga com os dedos e misture raspando-a com a farinha entre as mãos. Vá misturando até ficar uniforme e esfarelado. Balance a vasilha para garantir que toda a manteiga seja incorporada e abra um buraco no meio. Bata ligeiramente o ovo à parte e despeje no meio.

Trabalhe a mistura com um misturados de massa/espátula, adicionando água se necessário, cerca de uma colher por vez, até a massa começar a ligar. Junte a massa com a mão, ponha numa superfície plana e faça uma bola. Não trabalhe demais a massa para não endurecê-la.

Guarde-a enrolada em plástico filme na geladeira por pelo menos 30 minutos antes de usar.

Para forrar a forma, não estique demais a massa para não encolher. Abra-a com um rolo de massa 5 cm maior que a forma, enrole-a no rolo e transfira cuidadosamente para a forma. Ajuste nas laterais. Passe o rolo de madeira em cima da forma para cortar a massa excedente. Faça furos no fundo da massa com um garfo.

Coloque um papel manteiga por cima e feijões crus em cima para levar ao forno pré-aquecido a 180 graus, por 15 a 20 minutos. Quando a massa tiver endurecido e a borda dourar, tire o papel e os feijões e asse mais 5 minutos. Tire do forno e deixe esfriar.

Creme Pâtissière (375 gr aproximadamente) – do livro Receitas Com Ovos, de Michel Roux

  • 3 gemas
  • 62,5 gr de açúcar
  • 20 gr de farinha de trigo
  • 250 ml de leite
  • 1/2 fava de baunilha cortada ao meio no sentido do comprimento
  • açúcar de confeiteiro ou manteiga

Em uma tigela, junte as gemas com um terço do açúcar e bata até atingir o ponto de fita leve. Acrescente a farinha e bata bem.

Em uma panela, coloque o leite, o restante do açúcar e a fava de baunilha, e leve ao fogo. Quando levantar fervura, junte à mistura de ovos aos pouco para não fazer ovos mexidos (temperagem dos ovos) batendo sem parar. Incorpore bem e leve a panela de volta ao fogo médio.

Espere ferver , batendo sem parar com um batedor. Quando começar a borbulhar, deixe ferver por mais 2 minutos; a seguir, despeje em uma tigela.

Polvilhe a superfície do creme com açúcar de confeiteiro ou com pequenos pedaços de manteiga para impedir a formação de uma película sobre o creme. Depois de frio, o creme pode ser mantido na geladeira por até três dias. Retire a fava antes de usar.

Cobertura

  • Blueberries, amoras, framboesas, morangos e açúcar de confeiteiro para polvilhar (que eu não tinha e o ciático não me deixou ir comprar)

Montagem

Com a massa em temperatura ambiente e o creme de confeiteiro frio inicie a montagem. Misture um pouco o creme antes de espalhar sobre a massa. Coloque as frutas por cima e polvilhe açúcar de confeiteiro. Sirva fria! Parece trabalhoso, mas não é!